terça-feira, 4 de março de 2014

Continuação. 23 de n.

Quase cinco décadas permaneci afastado de minha família. Na minha casa era assunto tabu. Havia exceções tão inexplicáveis quanto os motivos do estranhamento e da desunião, mas de resto permaneci tão isolado e me acostumei a ter uma família tão nuclear que me tornei um misantropo. Gostava de dizer que meu ideal na vida era me mudar para as Ilhas Falklands - desde que continuassem britânicas, claro.
Há cerca de dois anos, porém, recebi um telefonema de uma das minhas tias; para não expor nomes, deixem-me chamá-la Emília - como a boneca de Monteiro Lobato - com quem se parece em espírito e jeito; ela, então, me disse: 
- Eu sou sua tia, apesar de vivermos distantes, sempre pensamos em sua mãe e em você e queríamos conhecê-lo e reunir outra vez a família.
Mil reflexões em um segundo. Não saberia exprimir a todas. Decidi pela união e pela harmonia, como ensina o Rei Salomão: "Há astúcia no coração de quem trama o mal, mas para os conselheiros da paz há sempre alegria" (Provérbios, 12,20).
E foi exatamente isso que encontrei.

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