Hoje, 23 de março de 2014, escrevi um soneto.
Com a parede nua, veio a morte,
Impregnar-se nas tuas caixas de mudança,
Em cada objeto, cada lembrança,
Que fugia da inescapável sorte.
Lembro, minha mãe, de muita andança,
Quando eras, para mim, o sul e o norte,
Estou agora preparado e forte,
Preservar tua memória não me cansa.
Teu lento apagar me torna cego,
Mas à escuridão guarida eu nego,
Eis a razão deste precoce luto;
Ainda que em teu redor se confundam os ares,
E assim da lucidez tu te separes,
Ouve, minha querida, por teu nome, eu luto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário