sábado, 29 de março de 2014

Continuação. 35 de n.

Hoje, 23 de março de 2014, escrevi um soneto. 

Com a parede nua, veio a morte,
Impregnar-se nas tuas caixas de mudança,
Em cada objeto, cada lembrança,
Que fugia da inescapável sorte.

Lembro, minha mãe, de muita andança,
Quando eras, para mim, o sul e o norte,
Estou agora preparado e forte,
Preservar tua memória não me cansa.

Teu lento apagar me torna cego,
Mas à escuridão guarida eu nego,
Eis a razão deste precoce luto;

Ainda que em teu redor se confundam os ares,
E assim da lucidez tu te separes,
Ouve, minha querida, por teu nome, eu luto.

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