quarta-feira, 12 de março de 2014

Continuação. 31 de n.

Muito já se escreveu sobre o trágico fim do Arquiduque Francisco Ferdinando e sobre a sua pessoa também. Tudo indica que ele era um reformista, possivelmente transformaria o Império em uma monarquia constitucional moderna. Nada tenho a acrescentar a esse capítulo da história, exceto uma porção de "e ses?"
E se Francisco Ferdinando não visitasse a Bósnia-Herzegóvina? E se ele sucedesse a seu tio e instituísse a igualde de todos os súditos do Império perante a lei? Teria ocorrido a grande guerra mesmo assim, ou, nasceria uma precoce União Européia sob a coordenação da Casa de Habsburgo?
E se houvesse guerra durante o seu reinado? Sua presença no trono teria feito alguma diferença?
Tomando a guerra como um fato consumado, teria sido possível às potências centrais vencê-la?
Neste ponto, cabem algumas especulações. Um amigo, profundo conhecedor da história alemã do período, me assegura que o veneno da guerra já tomara conta do Reich e, assim, na opinião dele, a guerra era inevitável. Faz uma ressalva: "talvez não tivéssemos os fornos crematórios, mas a guerra era só uma questão de tempo".
"Não é pouca coisa, ora bolas!", pensei no ato.
O professor Kagan explica que, no fim do século XIX, o deliberado desmantelamento do sistema de alianças concebido e implantado por Bismarck após a unificação da Alemanha, e a sua substituição por uma ambiciosa "weltpolitik" (política mundial) de atrito permanente contestação do equilíbrio de poder vigente, terminaria por levar à catástrofe.
Aos olhos da Alemanha, o país estava cercado, para as demais potências,  ao contrário, frente a evidente superioridade econômica e militar alemã, o país precisa ser contido. Nada de bom poderia advir de semelhante choque de paranoias.
Kagan compara Bismarck a Péricles, ambos adotaram políticas de autocontenção. Não queriam parecer ameaçadores aos olhos de seus vizinhos menores e mais fracos. Em ambos os casos, porém, a geração de políticos mais jovens que os sucedeu, tomada pelo orgulho, resolveu exercitar os músculos com nefasto resultado.
Mas e se a Alemanha e a Áustria-Hungria ganhassem a guerra? Kagan comenta que essa simples hipótese era  o maior pesadelo dos britânicos. Uma Europa continental controlada por uma única potência ainda mais poderosa que a Espanha de Filipe II ou a França de Napoleão I, era uma ameaça plausível e insuportável para os ilhéus. E tudo indica que eles tinham razão para terem medo, essa seira, possivelmente, a conjuntura mundial nos anos 20, em caso de vitória dos Impérios Centrais.
E depois? Bom, já estiquei demasiadamente a conversa até aqui, não consigo ir além.
Talvez o "putsch" bolchevique na Rússia não prosperasse, isso também teria sido bom... 

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