2 histórias
curtas e uma nota sobre um filme.
Começo pelo
filme. Um dos melhores a que assisti nos últimos tempos foi Philomena, com a grande
Judi Dench, impecável, seja como Elisabeth I, como M, ou como a protagonista dessa
história verídica e comovente.
Não, não vou
estragar o programa de ninguém, paro logo depois da sinopse.
A trama pode ser
resumida assim: na Irlanda dos anos 50, a jovem Philomena Lee engravida sem ser
casada, é posta para fora de casa pelo pai e busca refúgio em um convento, onde
trabalha para se sustentar. Com o auxílio das freiras, dá à luz um menino e autoriza
que a criança seja encaminhada para adoção. Precisa, então, se conformar com o
sofrimento, quando o bebê é entregue a uma família de magnatas americanos. Muitos
anos mais tarde, Philomena, com o auxílio de um jornalista inglês, tenta
reencontrar o filho.
Fim da sinopse.
Um detalhe merece
ser destacado aqui, adiante ficará claro o porquê. Durante toda a busca de
Philomena, as freiras do convento onde trabalhou alegaram não poder ajudá-la porque
os arquivos da época tinham sido perdidos em um incêndio.
Quando saímos do
cinema, eu e S lembramos na mesma hora de outra história, notavelmente
semelhante, acontecida no Brasil, por volta, pelas nossas contas, dos anos 70.
Uma conhecida,
do Hospital Sarah Kubitschek, onde trabalhamos, contou que, em certa ocasião,
quando morava em uma cidade que não precisa ser mencionada aqui, foi chamada a
atuar como intérprete de uma estrangeira que tentava descobrir as próprias origens.
A visitante era francesa
e também fora dada em adoção, mas descobriu com os pais na França que tinha
nascido naquela maternidade 30 anos antes. Feita a tradução, as assistentes
sociais encarregadas de atender a estrangeira lhe explicaram que, de fato,
naquele período, havia um setor da maternidade que atendia às mães solteiras e entregava
as crianças ali nascidas para casais, brasileiros ou estrangeiros, interessados
em adotá-las. Infelizmente, porém, todos os registros do período tinham se
perdido em um incêndio.
Desolada, a
jovem disse que iria continuar tentando encontrar os pais e a intérprete não soube
como a história terminou.
Há, porém, una cosita más, a ala da maternidade que
executava esses procedimentos era administrada, na época, por irmãs de caridade
católicas. A intérprete acrescentou que uma das assistentes sociais lhe contou em
outra ocasião, que as freiras hospedavam em uma fazenda moças de boas famílias, que tinham
dado um mau passo, lá elas podiam permanecer durante a gestação sem que a barriga lhes causasse constrangimentos. No momento apropriado, as futuras mães eram trazidas para a
maternidade e, imediatamente após o parto, os recém-nascidos eram entregues aos
pais adotivos.
Essas duas
histórias se assemelham, em parte, com a da minha trisavó Theresa Brayner.
No dia 06 de
agosto de 1867, Dona Theresa converteu-se ao catolicismo romano e adotou o nome
cristão de Honorata Acelina de Jesus. No dia seguinte, casou-se com José Gomes
dos Santos e anos mais tarde deu à luz, minha bisavó Joana Amélia.
Eu e outros
interessados tentamos encontrar os registros do casamento e do batismo na
cidade de São Caetano-PE, mais uma vez, porém, os registros daquele período, e
apenas os dele, se extraviaram.
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