domingo, 30 de março de 2014

Continuação. 48 de n.

2 histórias curtas e uma nota sobre um filme.

Começo pelo filme. Um dos melhores a que assisti nos últimos tempos foi Philomena, com a grande Judi Dench, impecável, seja como Elisabeth I, como M, ou como a protagonista dessa história verídica e comovente.
Não, não vou estragar o programa de ninguém, paro logo depois da sinopse.
A trama pode ser resumida assim: na Irlanda dos anos 50, a jovem Philomena Lee engravida sem ser casada, é posta para fora de casa pelo pai e busca refúgio em um convento, onde trabalha para se sustentar. Com o auxílio das freiras, dá à luz um menino e autoriza que a criança seja encaminhada para adoção. Precisa, então, se conformar com o sofrimento, quando o bebê é entregue a uma família de magnatas americanos. Muitos anos mais tarde, Philomena, com o auxílio de um jornalista inglês, tenta reencontrar o filho.
Fim da sinopse.
Um detalhe merece ser destacado aqui, adiante ficará claro o porquê. Durante toda a busca de Philomena, as freiras do convento onde trabalhou alegaram não poder ajudá-la porque os arquivos da época tinham sido perdidos em um incêndio.
Quando saímos do cinema, eu e S lembramos na mesma hora de outra história, notavelmente semelhante, acontecida no Brasil, por volta, pelas nossas contas, dos anos 70.
Uma conhecida, do Hospital Sarah Kubitschek, onde trabalhamos, contou que, em certa ocasião, quando morava em uma cidade que não precisa ser mencionada aqui, foi chamada a atuar como intérprete de uma estrangeira que tentava descobrir as próprias origens.
A visitante era francesa e também fora dada em adoção, mas descobriu com os pais na França que tinha nascido naquela maternidade 30 anos antes. Feita a tradução, as assistentes sociais encarregadas de atender a estrangeira lhe explicaram que, de fato, naquele período, havia um setor da maternidade que atendia às mães solteiras e entregava as crianças ali nascidas para casais, brasileiros ou estrangeiros, interessados em adotá-las. Infelizmente, porém, todos os registros do período tinham se perdido em um incêndio.
Desolada, a jovem disse que iria continuar tentando encontrar os pais e a intérprete não soube como a história terminou.
Há, porém, una cosita más, a ala da maternidade que executava esses procedimentos era administrada, na época, por irmãs de caridade católicas. A intérprete acrescentou que uma das assistentes sociais lhe contou em outra ocasião, que as freiras hospedavam em uma fazenda moças de boas famílias, que tinham dado um mau passo, lá elas podiam permanecer durante a gestação sem que a barriga lhes causasse constrangimentos. No momento apropriado, as futuras mães eram trazidas para a maternidade e, imediatamente após o parto, os recém-nascidos eram entregues aos pais adotivos.
Essas duas histórias se assemelham, em parte, com a da minha trisavó Theresa Brayner.
No dia 06 de agosto de 1867, Dona Theresa converteu-se ao catolicismo romano e adotou o nome cristão de Honorata Acelina de Jesus. No dia seguinte, casou-se com José Gomes dos Santos e anos mais tarde deu à luz, minha bisavó Joana Amélia.
Eu e outros interessados tentamos encontrar os registros do casamento e do batismo na cidade de São Caetano-PE, mais uma vez, porém, os registros daquele período, e apenas os dele, se extraviaram.

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