BH
A Bahia goza de sabida
primazia na questão “nascimento do Brasil”. Muito justa a honraria, afinal, foi
lá que o Almirante Pedro, filho de Álvaro, natural de Belmonte-Portuga (1), aportou
em 22 de abril de 1500; a primeira missa na nova terra foi celebrada na Bahia.
São Paulo,
entretanto, poderia reclamar a primogenitura. Diriam os paulistas: “não está
escrito que um certo brado retumbante de um povo heroico foi ouvido, em
primeiro lugar, às margens plácidas do Ipiranga?”
“Nesse caso” – argumentaria
o Rio de Janeiro – “é forçoso reconhecer que D. Pedro estava apenas de passagem
por São Paulo, o centro político e militar do novo país, em setembro de 1822, estava
esplendidamente aconchegado na Baía de Guanabara”.
Trata-se de uma discussão
aberta, claro, pessoalmente, estou entre os que acreditam que o Brasil nasceu no
morro dos Guararapes. Tudo que antecedeu às batalhas refere-se à colônia; tudo
o que veio depois, consequência inescapável do seu resultado.
Em duas ocasiões,
brasileiros – praticamente sem apoio da metrópole – lutaram contra soldados das Sete Províncias Unidas e venceram. Mais tarde, Portugal, restaurado
de sua união com Castela, recebeu intacta sua rica colônia, porém, desde
Guararapes, uma pergunta ficou sem resposta: qual o papel do colonizador nesta
terra?
A
desproporção de potencialidades, quando se compara a pequenina nação europeia –
lutando dia a dia por sua própria
independência - com seu gigantesco
domínio americano é autoevidente.
Possivelmente, o
obscurantismo dos governos ultramarinos portugueses, cujos reflexos se estendem
até o presente, tenha sido provocado pelo reconhecimento precoce da insustentabilidade
do império. Uma coisa é certa, no morro dos Guararapes, os brasileiros
escolheram uma língua, uma religião e um particular modo de vida.
As histórias que
contarei em seguida estarão carregadas de licença poética, mas se assentam
sobre um incontestável fundo de verdade, como não sou historiador profissional,
desfruto dessa liberdade.
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(1) Em Belmonte, já no século XX foi descoberta uma comunidade de criptojudeus que conseguiu escapar ilesa das perseguições da inquisição e teve sua judeidade reconhecida pelo rabinato de Israel.
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(1) Em Belmonte, já no século XX foi descoberta uma comunidade de criptojudeus que conseguiu escapar ilesa das perseguições da inquisição e teve sua judeidade reconhecida pelo rabinato de Israel.
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