domingo, 2 de março de 2014

Continuação. 4 de n.

BH

– Qual a melhor coisa deste mundo? – Pergunta o marrano a três amigos.
– O amor – Responde o primeiro. 
O marrano balança a cabeça.
– Sexo! – Exclama o segundo. 
O marrano abaixa a cabeça.
– Saúde? – Tenta o terceiro. 
Com um sorriso esquecido no olhar, o marrano diz:
– A melhor coisa deste mundo, senhores, é acordar às duas da manhã, em uma noite chuvosa com batidas violentas na sua porta. Bam! Bam! Bam! Ainda atordoado, você acende o candeeiro, vai até a sala e pergunta: “Quem é?” Do de lado fora, berra uma voz grave: “Tribunal do Santo Ofício! Abra a porta José Pereira Dias”. Você, então, tem a oportunidade de dizer: “Desculpe, Excelência, a casa de José Dias é a próxima, à esquerda”. Voltar para cama, depois disso, é a melhor coisa do mundo.
Percebemos aqui o primeiro desvio a apartar o marranismo da verdadeira fé, de acordo com o Rei Shlomo, “O princípio de toda Sabedoria é o temor a D’us” (1).
O marrano teme também seu vizinho.

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(1) Provérbios 9, 10. 

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