quinta-feira, 6 de março de 2014

Continuação. 26 de n.

E qual seria a vocação do semiárido? Qual a vocação de Monteiro? 
O solo rochoso contém água, mas ela é salobra; usada sem tratamento (que é caro) pode salgar a terra. O algodão de fibra longa que se produziu no Cariri paraibano na primeira metade do século XX era de excelente qualidade, atendia às exigências do mercado internacional, entretanto, economicamente, não era páreo para o que veio a ser cultivado em São Paulo, em lavouras mecanizadas. 
De novo, o solo pedregoso do sertão suprime a sua grande vantagem comparativa: o sol. 
Frutas, talvez, fossem uma opção. O melhor abacaxi que comi até hoje veio da Paraíba. 
A vocação que me pareceu mais saliente, contudo, foi a  mitopoética, ou como se diz por lá: "o Norte pensa, São Paulo trabalha,  o Rio se diverte". 
Não apenas pensa, o Norte, conta histórias. Todo sertanejo traz dentro de si o enredo de uma saga épica. Cada pedra, poço ou árvore está associado a uma lenda. Quanto mais seco o sertão, mais ele se assemelha a Eretz Israel, física e espiritualmente. 
HIstórias, leite e mel, nessa ordem, eis a vocação do sertão. 
Foi nessas coisas que fiquei pensando depois de minha visita ao Jatobá. 

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