domingo, 2 de março de 2014

Continuação. 9 de n.

BH

Mais uma hora se passou e depois outra. Os neerlandeses indicaram que não ofereceriam resistência. Quando os espanhóis já estavam ao alcance das vistas, deram sinal de que enviariam emissários a bordo, para negociar com os comandantes os termos da apreensão das embarcações.
Hoje, não se costuma pensar nesses fatos, mas a guerra travada, em quatro continentes, pelas potências navais europeias durante a maior parte do século XVII, apesar de não ser intitulada assim, foi, de fato, a primeira guerra mundial. Cada boca de rio, cada morro e cada praia das Américas foi objeto de disputas cruentas travadas por Espanha, França, Países Baixos e Inglaterra.
Portugal, o precursor das grandes navegações, naquele tempo, estava reduzido a uma potência de segunda classe.
A grande vitoriosa, indiscutivelmente, foi a Espanha, seu império se estendia do Oregon à Patagônia, nele se incluía a Flórida e as grandes ilhas caribenhas, para não falar do Brasil, durante o breve período da União Ibérica. Para as potências do norte restou um punhado de enclaves no vasto domínio espanhol; ou as áreas gélidas ao leste e norte continente.
Em épocas como aquela, ser abordado por navio hostil equivalia a uma sentença de morte.

– “Gam zu leTovah!”(1) – exclamou Manoel Franc.
– O sol cozinhou seus miolos? Os espanhóis vão jogar-nos no mar, ou passar-nos ao fio da espada. Valha-me D’us!
- “Quem habita na morada do Altíssimo estará sempre sob Sua proteção”(2)  – insistiu Franc, lutando contra uma sensação sombria que lhe invadia o espírito.
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(1) “Isso também é para o bem”, expressão que remonta ao sábio Nachum Gamzu que viveu no primeiro século da era comum.

(2) Salmo 91, 1.

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