domingo, 2 de março de 2014

Continuação. 17 de n.

BH

E se?

Eis uma pergunta impossível de ser respondida por um historiador. O hipotético é domínio da literatura; sua matéria prima é a imaginação, nunca cartas, documentos ou inscrições. A arte cria seus próprios hieróglifos, entroniza seus heróis e pune seus vilões. Às vezes, faz o contrário também...
O grande escritor cristão C. S. Lewis reponde de maneira categórica ao “e se?”. 
Em uma das aventuras em Nárnia, Lúcia e seus irmãos são chamados por Aslam - o leão não-domesticado - para se encontrarem com ele, seguindo por um caminho que ladeava um despenhadeiro. Ao chegarem bem próximos de um precipício, perdem o leão de vista; decidem, então, voltar e procurar uma rota mais fácil
O fácil, porém, se revela árduo, muito mais do que poderiam supor. Quando, por fim, depois de algumas peripécias, encontram-se frente a frente com Aslam, Lúcia lhe pergunta: “como teria sido, se tivéssemos continuado no caminho do despenhadeiro?”.
Aslam responde (não exatamente com essas palavras): “a ninguém é dado saber como teria sido o que não foi.”
“E se o Brasil não tivesse expulsado os judeus de Pernambuco?”
Pessoalmente, acredito que Nova York estava fadada ao sucesso, por razões, que não precisam ser detalhadas aqui, mas é impossível não incluir a tolerância religiosa entre elas.
Pernambuco e o Brasil, ao contrário, como sabemos, mergulharam em 2 séculos de ignorância e preconceito – esses quase sinônimos.
Recife perdeu artesãos e comerciantes habilidosos, empreendedores e professores letrados em mais de um idioma. Quando mais esses talentos se tornavam indispensáveis no início da modernidade, o Brasil os entregou de graça para neerlandeses e britânicos. Nem mesmo foi capaz de compreender o erro que cometera.
Isso nos faz voltar ao Sultão Bayezid II; diz-se que duvidava da inteligência dos reis católicos Fernando e Isabel. “Que outra explicação poderia haver” – pensava – “para que empobreçam seu próprio reino e enriqueçam o meu?”

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