domingo, 2 de março de 2014

Continuação. 15 de n

BH

Novos percalços aguardavam os refugiados em Nova Amsterdã. O oficial encarregado de controlar a entrada da cidade recebera ordens de não permitir a ingresso de viajantes sem passaporte. Tentaram argumentar que não receberam passaportes quando se mudaram para Pernambuco, porque, no fim das contas, tratava-se de uma conquista. O homem, porém, permaneceu irredutível.
Graças ao Eterno, rapidamente, o impasse chegou ao conhecimento do governador colonial Petrus Stuyvesant – o que somente foi possível por conta do tamanho da acanhada burocracia colonial.
Calvinista fervoroso, assim que soube do pedido de refúgio formulado pelos judeus de Mauritstad, Stuyvesant teria dito:
– Raça de usurários! Se os deixar permanecer na vila, em breve, teremos por aqui luteranos, quakers e até papistas!
Foi convencido a mudar de ideia por alguns marinheiros neerlandeses que acompanharam os judeus na 2ª parte da viagem e relataram minunciosamente o que presenciaram em Trinidad; lembraram também que muitos judeus fizeram parte do exército dos Países Baixos em Pernambuco.
Decisiva, por fim, foi a intervenção dos homens da Companhia das Índias Ocidentais que lembraram ao governador, os bons laços de amizade e comércio que mantinham com a colônia judaica de Amsterdã.
– Pois está muito bem! Mas que se alberguem no limite extremo da cidade, eu os quero próximos à paliçada; que ao menos sirvam de sentinelas em caso de novos ataques de aborígenes ou ingleses.

No primeiro Shabat, na rua da paliçada, em Nova Amsterdã, Manoel Franc celebrou:
– Quem não acredita em milagres, deveria conhecer a nossa história!

Nenhum comentário:

Postar um comentário