B’H
D e S dizem que sou
um fóssil, e estão certos! Sou mesmo antiquado e já era assim aos 25 anos, do
contrário, como explicar que sozinho, solteiro e com um bom emprego, em
Brasília, eu estivesse, em 1990, preocupado em estudar a Bíblia? Soa incompreensível para muitas pessoas em 2014.
Isso foi antes
de conhecer S, claro, mas não vamos atropelar a história.
Comprei uma
Bíblia Católica nas Edições Paulinas, que ficava do lado do Sarah.
As versões católicas
contêm os livros apócrifos dos Macabeus, Judite e Tobias, que não se encontram nas
edições protestantes, era, portanto, do que eu precisava para começar a
estudar.
A narrativa
monumental da criação do mundo em seis dias e da consagração do Shabat não era
novidade para mim; dali para frente, porém, a leitura foi se tornando cada vez
mais árida, até ficar insuportável.
Falando como
engenheiro, eu estava acostumado com textos difíceis; naquela época, meu trabalho
exigia operações matemáticas complicadas como a filtragem de séries discretas
de coordenadas espaciais (i de n) em que cada ponto representava a posição de uma
articulação do paciente em movimento – depois explico do que se trata com um
pouco mais de clareza –, eu precisava, pois, estudar
muito porque era uma área inteiramente nova para mim e os textos técnicos não eram simples, a Bíblia, porém, mostrou-se
mais difícil: Como entender um D’us que se arrepende? Qual a origem do mal na
criação?
E eu ainda nem tinha
chegado no Êxodo...
Por que D’us decidiu
castigar todo povo egípcio pela conduta cruel de seu rei?
Que D’us era
aquele?!
Não podia
continuar sozinho. Precisava de ajuda, Voltei às Paulinas, dei uma olhada nas estantes e fiz um achado: o livro “Assim se formou a
Bíblia” do frei dominicano alemão Diego Arenhoevel*, especialista em análise
literária das escrituras.
Amanhã falo mais
sobre ele.
*Lê-se arenrêfel,
o que, para ser franco, não ajuda muito a pronunciar o nome do frei em
português....
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