terça-feira, 29 de abril de 2014

Continuação. 82 de n.

B’H

D e S dizem que sou um fóssil, e estão certos! Sou mesmo antiquado e já era assim aos 25 anos, do contrário, como explicar que sozinho, solteiro e com um bom emprego, em Brasília, eu estivesse, em 1990, preocupado em estudar a Bíblia? Soa incompreensível para muitas pessoas em 2014.
Isso foi antes de conhecer S, claro, mas não vamos atropelar a história.
Comprei uma Bíblia Católica nas Edições Paulinas, que ficava do lado do Sarah.
As versões católicas contêm os livros apócrifos dos Macabeus, Judite e Tobias, que não se encontram nas edições protestantes, era, portanto, do que eu precisava para começar a estudar.
A narrativa monumental da criação do mundo em seis dias e da consagração do Shabat não era novidade para mim; dali para frente, porém, a leitura foi se tornando cada vez mais árida, até ficar insuportável.
Falando como engenheiro, eu estava acostumado com textos difíceis; naquela época, meu trabalho exigia operações matemáticas complicadas como a filtragem de séries discretas de coordenadas espaciais (i de n) em que cada ponto representava a posição de uma articulação do paciente em movimento – depois explico do que se trata com um pouco mais de clareza –,  eu precisava, pois, estudar muito porque era uma área inteiramente nova para mim e os textos técnicos não eram simples, a Bíblia, porém, mostrou-se mais difícil: Como entender um D’us que se arrepende? Qual a origem do mal na criação?

E eu ainda nem tinha chegado no Êxodo...
Por que D’us decidiu castigar todo povo egípcio pela conduta cruel de seu rei?

Que D’us era aquele?!

Não podia continuar sozinho. Precisava de ajuda, Voltei às Paulinas, dei uma olhada nas estantes e fiz um achado: o livro “Assim se formou a Bíblia” do frei dominicano alemão Diego Arenhoevel*, especialista em análise literária das escrituras.

Amanhã falo mais sobre ele.


*Lê-se arenrêfel, o que, para ser franco, não ajuda muito a pronunciar o nome do frei em português.... 

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