quinta-feira, 24 de abril de 2014

Continuação. 79 de n.

Algumas vezes, pessoas com as quais tivemos muito pouco contato influenciam de modo decisivo nossas vidas. Recordado agora, tanto tempo depois, vejo que esse foi o caso de S, a secretária do Laboratório de Movimento, a respeito de quem falei no episódio sobre a posse de Fernando Collor de Mello. 
S era presbiteriana, i. e., calvinista como os invasores de Pernambuco no século XVII, mas isso é só uma coincidência. Antes de contar a história de S, preciso falar um pouco de minhas próprias convicções religiosas.
Como disse antes, acredito que há pessoas dotadas de um estrito sentido religioso transcendente - eu me incluo nesse grupo - e há as que depositam sua fé em coisas mundanas como o proletariado, a ecologia, ássanas etc.
Logo que entrei na faculdade, passei da primeira para a segunda categoria, tornei-me, em parte por pressão do meio, ateu e socialista; transferi minha fé de criança para a ciência e para a classe trabalhadora. Era muito difícil no Recife dos anos 80, para alguém com meu temperamento, não ser reacionário ou comunista.
Não me sentia confortável como socialista, contudo.
Não me agradavam diversos comportamentos de meus correligionários, prefiro não mencioná-los agora, e também a ausência de explicações plausíveis para a situação precária em que viviam os povos sujeitos à engenharia social marxista no leste da Europa, China – então paupérrima – e Cuba. Não posso dizer que fosse bem visto por isso; minha falta de fé se assemelhava a de um católico que questionasse a concepção virginal de Jesus.

Terminei me tornando um apóstata, dois fenômenos espíritas contribuíram para me trazer de volta para o lado das religiões transcendentes.

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