segunda-feira, 7 de abril de 2014

Continuação. 63 de n.

Em 1987, eu era estagiário em uma multinacional, com perspectiva concreta de ser contratado. Do nada, porém, decidi fazer um mestrado em informática na UFPE. Como todo sapo, não conversei com ninguém, simplesmente pulei no abismo sem paraquedas: larguei o estágio, fiz a inscrição e, para meu espanto, não fui admitido.

"Nu?"* Depois de me formar, fiquei 5 meses desempregado...

"Gam zu le tová!"

Há algo de arrogante em cada sapo, mas no meu caso - assim gosto de pensar - de quixotesco também. Eu realmente acreditava que, pelo meu currículo apenas, seria selecionado para o mestrado. Rá! Que idiota!
Cheguei até a ser entrevistado - mera formalidade - as cartas do jogo estavam marcadas, e me deram um par de 2.

Relembrando, agora, percebo que os professores-burocratas que me avaliaram demonstraram abertamente seu desinteresse por aquela pantomima, na época, porém, eu não sabia ler os sinais, vivia em um mundo paralelo, acima (supunha) da realidade.

Busco, então, refúgio no Quixote. Algumas das passagens mais engraçadas do cavaleiro da triste figura, acontecem quando ele trava contato com esse mundo medíocre em que vivemos; por exemplo, quando se dirige a uma tocadora de porcos em uma estalagem, e diz algo como: "boa noite, gentil donzela, podeis, por obséquio, pedir ao castelão que se digne a permitir que eu aqui pernoite?".  A "gentil donzela", apesar de não entender o que aquele homem estranho pretendia, ficava encantada com o elogio inesperado e, em troca, lhe oferecia um sorriso que nem imaginava possuir.  

A realidade em que eu vivia era ainda mais medíocre que a da porqueira na estalagem, mas, a meu favor devo dizer que não a vivia com alma pequena. Essa é a minha justificação, mas devo confessar: por minha culpa, não conservei um amigo de verdade daquela época.

Igual ao homem da Mancha, porém eu acreditava até recentemente que, mesmo distantes, ainda era amigo dos meus colegas de academia. Perceber essa idiotice, foi o que me levou a escrever essas histórias curtas, primeiramente no Facebook (até ser alertado da impropriedade pelos meus filhos) e agora neste blog de n histórias.
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* E então? Resultado?, em iídiche.

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