Tenho várias histórias marcantes ligadas ao concurso do Hospital Sarah Kubitschek, a começar pela própria ideia de participar dele. Trabalhar em um hospital? Que coisa mais estranha, nunca tinha me passado pela cabeça; sou daqueles que sentem náusea só de pensar em sangue, mas estava desempregado, querem motivação maior do que essa? É bem verdade que mais tarde na vida descobri outras ainda maiores.
Uma grande amiga de infância, A, que é fisioterapeuta, me mostrou o edital do concurso no Diário de Pernambuco. Aconteceria no início de 1988. Àquela altura eu já estava participando do processo seletivo da Açonorte, mas ainda não tinha sido contratado.
Sarah Kubstischek? Pourquoi pas? O campo de atuação - para minha surpresa - era bacana e o salário, como disse antes, tentador. A prova aconteceria em Salvador.
Preciso, agora, fazer uma pausa para contar minha peculiar relação com a Bahia.
Meu pai era soteropolitano, mas nunca tive contato com a sua família, por motivos que talvez eu conte em outra ocasião, Por ora preciso fazer o tempo retroceder ainda mais, alguns meses, não lembro ao certo quantos. Antes de estar na iminência de ir até Salvador, por causa da carta - parece enredo de "O direito de nascer", admito, mas não é -, recebi um telefonema da Bahia, de minha prima G, que quebrou um gelo de mais de duas décadas.
G é uma das pessoas mais generosas - e impetuosas - que eu conheço, só poderia descrevê-la valendo-me das palavras do grande Antonio Machado:
"Y al cabo, nada os debo; debéisme cuanto he escrito
A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansión que habito
el pan que me alimenta y el lecho en donde yago."
Eis o retrato também de minha prima G. Superando o silêncio, espantosamente, uma bela noite, ela liga para minha casa no Recife e estabelece um contato comigo, e com minha mãe, que perdura até hoje. Na época, convidou-me a visitar a Bahia e a se hospedar em sua casa, no Tororó. Aquela parecia ser a hora!
A estada em Salvador, tal como aconteceu em Monteiro mais recentemente, foi muito acolhedora, conheci tios e primos, fiquei feliz, a estrada para o Recife, porém, mostrou-se interminável: "e se eu não passar no concurso?", pensava, "que vergonha!". Não dormi no ônibus. A meus olhos, pesava sobre meus ombros uma tremenda responsabilidade.
A estada em Salvador, tal como aconteceu em Monteiro mais recentemente, foi muito acolhedora, conheci tios e primos, fiquei feliz, a estrada para o Recife, porém, mostrou-se interminável: "e se eu não passar no concurso?", pensava, "que vergonha!". Não dormi no ônibus. A meus olhos, pesava sobre meus ombros uma tremenda responsabilidade.
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