domingo, 27 de abril de 2014

Continuação. 80 de n.

Não vou contar o que foram – ou como foram – os fenômenos espíritas a que me referi, eu mesmo não os entendo até hoje, mas posso falar de seus desdobramentos. Procurei a Federação Espírita no Recife e fiz o que se pode chamar de consulta; eles foram muito corretos, não pediram dinheiro, nem que eu me tornasse um membro da “igreja”, disseram apenas que estudasse a doutrina espírita e aguardasse o momento oportuno.
Esse momento nunca chegou, mas segui as orientações; li toda a obra de Allan Kardec: O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, A Gênese, O céu e o inferno e O evangelho segundo o espiritismo. Aproveitei que estava estudando francês e li esse último também no original. Não satisfeito, devorei os livros de Jean Baptiste Roustaing – os espíritas, e só eles, conhecem esse autor – e praticamente toda a obra psicografada por Chico Xavier.
Para completar, li com atenção um número razoável de obras históricas e outras avulsas, que, mais tarde, me ajudaram a deixar o mundo espírita.
Isso eu posso explicar desde já. Muitos desses textos apresentam um defeito insuperável se admitimos terem sido ditados por entidades livres das limitações do mundo material: eles abrigam erros historiográficos e – o que é pior - preconceitos de época. São, portanto, datáveis, e desprovidos da atemporalidade exigida de uma obra religiosa. Alguns, lamento dizer, são francamente antissemitas.

Essa mudança de rumos, porém, aconteceu mais tarde, durante muitos anos ainda eu seria um bom espírita. 

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