Não vou contar o
que foram – ou como foram – os fenômenos espíritas a que me referi, eu mesmo não
os entendo até hoje, mas posso falar de seus desdobramentos. Procurei a
Federação Espírita no Recife e fiz o que se pode chamar de consulta; eles foram
muito corretos, não pediram dinheiro, nem que eu me tornasse um membro
da “igreja”, disseram apenas que estudasse a doutrina espírita e aguardasse o
momento oportuno.
Esse momento
nunca chegou, mas segui as orientações; li toda a obra de Allan Kardec: O livro
dos espíritos, O livro dos médiuns, A Gênese, O céu e o inferno e O evangelho
segundo o espiritismo. Aproveitei que estava estudando francês e li esse último
também no original. Não satisfeito, devorei os livros de Jean Baptiste
Roustaing – os espíritas, e só eles, conhecem esse autor – e praticamente toda
a obra psicografada por Chico Xavier.
Para completar,
li com atenção um número razoável de obras históricas e outras avulsas, que, mais
tarde, me ajudaram a deixar o mundo espírita.
Isso eu posso
explicar desde já. Muitos desses textos apresentam um defeito insuperável se admitimos
terem sido ditados por entidades livres das limitações do
mundo material: eles abrigam erros historiográficos e – o que é pior - preconceitos
de época. São, portanto, datáveis, e desprovidos da atemporalidade exigida de uma
obra religiosa. Alguns, lamento dizer, são francamente antissemitas.
Essa mudança de
rumos, porém, aconteceu mais tarde, durante muitos anos ainda eu seria um bom
espírita.
Nenhum comentário:
Postar um comentário