sábado, 5 de abril de 2014

Continuação. 59 de n.

Meu sogro, Sansão, sobreviveu ao campo de concentração.

Na Polônia, da numerosa família K, somente escaparam do extermínio ele mesmo e uma de suas irmãs. Nos anos 90, ela concedeu um depoimento, em espanhol, ao Yad Vashem (Museu do Holocausto) em Israel. De acordo com Sansão, porém, nenhum filme, nenhum livro, nenhuma história seria capaz de descrever o horror do nacional-socialismo.

Deixem-me agora, contar uma história que aconteceu há alguns anos em Curitiba, e que entrelaça diversas linhas desse enredo que venho expondo neste blog de um jeito meio aleatório.

A comunidade judaica local aproveitou a presença na cidade da Rebbetzin Esther Jungreis - ela própria uma sobrevivente - para lançar o seu livro  "Compromisso com a Vida - princípios para uma boa vida de acordo com nosso passado sempre presente" e promoveu uma cerimônia de homenagem aos mortos no Shoah* da qual participaram os rabinos da cidade, autoridades e outros sobreviventes. Ao fim de apresentação compramos um exemplar e fomos honrados com um autógrafo.

Na tela ao fundo eram projetados trechos de Salmos:

Quem compreende o poder de Tua cólera para temer como deveria Tua reprovação? Ensina-no com o contar de nossos dias a alcançar a sabedoria do coração. Salmo 90, 12.
Alegra-nos na proporção dos dias em que nos afligiste, dos anos que nos abateu a adversidade. Salmo 90, 15.
Bem aventurados os homens que têm sua força em Ti e em cujos corações estão os Teus caminhos. Atravessando o vale árido transformam-no numa fonte que jorra como se uma chuva o tivesse coberto de bençãos. Salmo 84, 6-7
S, como sempre, se debulhou em lágrimas.

Mas isso não é tudo, o mais intrigante, vem agora. Durante a solenidade, eram distribuídas pequenas velas com nomes de crianças judias mortas pelos nazistas. Uma ex-colega de minha filha da escola israelita passava entre as fileiras de cadeiras carregando uma bandeja de onde retirava as velinhas ao acaso e as entregava aos convidados. Peguei uma.

Qual não foi a minha surpresa ao ler o nome da criança impresso na vela que me coube naquela noite: Rebecca Braun.

Coincidência? Coincidência, gosto de pensar, é apenas o modo discreto como o Eterno atua no nosso mundo...

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*Holocausto em hebraico.




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