segunda-feira, 21 de abril de 2014

Continuação. 75 de n.

A chegada a Brasília foi mágica. A cidade, o local de trabalho, o  laboratório de movimento, tudo estava revestido do encanto da primeira vez.Teve até chuva de granizo.
Fiquei hospedado por algumas semanas na casa de uma amiga de infância do Recife, V. Ela morava em um confortável apartamento quarto-e-sala a poucas quadras do Hospital. Não, não aconteceu nada entre nós, ela tinha namorado, e, na verdade, mal nos víamos porque ela passava os dias na UNB, onde fazia um mestrado,  e trabalhava à noite na compensação de cheques do Banco do Brasil. Mesmo assim eu me sentia desconfortável. Acho que a molecada de hoje nem mesmo entenderia a situação como problemática, mas, para mim, em 1990, era embaraçoso.

Tentar alugar um apartamento no Distrito Federal quinze dias antes da posse do novo presidente da república foi o meu primeiro choque de realidade na capital. Os aluguéis eram absurdamente caros!
É assim até hoje, diga-se. Brasília é, de longe, a cidade mais cara do país. O salário, tentador, quando visto do Recife, não me permitiu alugar um apartamento, nem mesmo de 1 quarto, no Plano Piloto.
A maioria dos concursados do Sarah era de mulheres: psicólogas, enfermeiras e fisioterapeutas; elas  se organizarqm em "repúblicas" e assim conseguiram dividir apartamentos de 2 ou 3 quartos, que saía mais em conta, quanto a mim, tive que me contentar com o Guará...
Diferente de muitos, mais afortunados do que eu, foi bem midesto, meu início na capital.

Antes de continuar, uma história engraçada.

Por causa do clima seco de Brasília, logo que cheguei, tive uma inflamação na garganta e perdi a voz. Era um sábado, eu estava sozinho no apartamento, minha amiga tinha viajado com o namorado, e precisava ir a uma farmácia comprar uma pastilha, mas não sabia andar por ali.
Desci, não encontrei o porteiro. Fui até a  alçada, era feriado, a cidade estava vazia, quase ninguém na rua. Finalmente passou uma pessoa, perguntei do jeito que conseguia falar:
- Por favor, onde encontro uma farmácia?
Solícito, o sujeito me respondeu:
- Vo-vo-cê se-se-gue por a-a-a-li vi-vi-vi-ra a-a-a di-di-reita e...

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