Quando saí da Açonorte, tive que contar a mesma história várias vezes para um monte de gente: "Fiz um concurso dois anos atrás e só agora me chamaram..."
Em primeiro lugar para o meu chefe, depois pro chefe da Engenharia, para os técnicos que trabalhavam comigo na Automação, para os colegas do programa de trainees, conforme os encontrava, e, por fim, para o RH da empresa. Contei também para alguns amigos de fora do trabalho, mas esses foram poucos.
Já aconteceu com todo mundo, depois das primeiras vezes, eu já tinha um enredo decorado. Paul McCartney deve se sentir assim quando pedem para ele cantar Hey, Jude.
Antes de sair, a Açonorte fez uma entrevista de desligamento, fui avaliado como "apto a retornar", fiquei feliz de ter deixado as portas abertas.
Agora Brasília me aguardava.
A remota capital construída, há pouco mais de meio século, por motivos desconhecidos, no meio do nada, tem o condão de receber igualmente a todos os brasileiros: ninguém pode, de início, dizer-se familiarizado com a cidade, ela é democraticamente exótica para todos.
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