domingo, 6 de abril de 2014

Continuação. 62 de n.

Em 1983, comecei o curso de engenharia na UFPE e o concluí, sem atraso, em 1987. Já faz 27 anos! Uma vida.

Não era minha verdadeira vocação, mas certamente era um sonho acalentado por minha mãe. Desde muito cedo, lembro de ela dizer: "vai ser engenheiro, igual ao pai". O fato de ir bem em matemática na escola, tornou a escolha natural, apesar de eu gostar mais de história e de desenho. Outro elemento fundamental para a minha escolha, confesso, foi econômico, criado em um meio pequeno-burguês,  para o vestibular, eu só levava em consideração três profissões: engenharia, medicina ou direito. Como não tinha - e ainda não tenho - estômago para ver sangue, nem gostava de direito, restava-me a engenharia, ainda mais com o incentivo nada discreto de uma iídiche mama. Recentemente, recebi uma dessas piadinhas de internet que sintetiza meu mesquinho estado de espírito naquela época: "Doutorado em História? Parabéns! Agora, me vê um número 2 com Coca-Cola, por favor".
Ironicamente, fiz direito na virada do milênio, por motivos não muito nobres. Hoje sou um engenheiro-jurídico graduado e um historiador amador.
Posso dizer que tive alguns sucessos na profissão, apesar de mal orientado e em uma época difícil para a engenharia no Brasil. Comecei sendo selecionado para um estágio em uma grande empresa de informática - a Unisys - um ano antes de me formar , cheguei a representá-la em um curso para um pequeno cliente antes mesmo de ser efetivado. Da experiência só lembro de ter que usar terno e gravata no Recife, em 1986, e de suar às bicas.
Em seguida cheguei a um de muitos pontos de ruptura na minha história. Para explicá-lo, espero poder dizer, com o salmista: "meu pensamento é coerente com minhas palavras"*.
Começo com um postulado. A humanidade se divide em dois grupos de pessoas: os sapos e os papagaios. Os primeiros costumam se lançar no vazio sem saber aonde vão cair, enquanto os segundos nunca largam um pé enquanto o outro não está firmemente agarrado em um lugar seguro.

Em 1987, eu era um sapo perfeito.

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Salmo 17, 3, in fine.


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