Eu e S estamos curtindo a série britânica
Downton Abbey, em tempos de copa, foi o pedágio que tive que pagar para poder
assistir ao maior número de jogos que eu conseguisse. Comecei a ver cos
episódios om certa desconfiança, mas devo admitir fui contagiado pelo jeito com
que a história é contada.
Os dois primeiros anos da série se passam
nos anos imediatamente anteriores à primeira guerra mundial. O ritmo em que a
trama se desenrola é semelhante ao dos romances de Jane Austen, a história de
amor da protagonista faz referências claras à escritora, mas Downton, como a chamamos
aqui em casa, é muito mais do que isso; a qualidade da produção se manifesta em
cada detalhe de época, os atores são excelentes e o texto convida o espectador a
entrar na vida dos personagens a despeito das diferenças tão evidentes e exasperantes
de costumes que existem entre nós e eles, apesar de, em termos históricos, tudo
ter acontecido ontem...
E assim chegamos ao que, a meu ver, é o
ponto mais alto da produção, a história se presta a contar a História.
Downton Abbey é a moradia principal de
Robert Crawley, conde de Grantham, situada ficticiamente em York no norte da
Inglaterra. O conde mora no palácio com sua esposa americana, Cora, e três
filhas casadoiras: Mary, Edith e Sybill. Eles são servidos por um exército de
criados, chefiados por um mordomo e uma governanta, no começa é até difícil
saber quem faz o quê, há garçons, valetes, camareiras, cozinheira e auxiliares.
Os empregados se levantam na presença do
conde, se curvam à sua passagem e somente se referem aos patrões por “sua
lordeza”, em tradução crua.
Mas cada personagem, independentemente do “rank”social,
tem uma história, como na vida, todos sofrem e se alegram, os seus motivos
de seus pesares ou gozos podem parecer
inusitados para nós apenas cem anos depois dos eventos, mas leva a pensar:
mudamos em alguma coisa?
Um hospital moderno, com sua rígida
hierarquia e seus protocolos, seria muito diferente da casa de um nobre britânico
em 1912? Em que exatamente a dedicação
dos servos a seus senhores esmiuçada em Downton Abbey se distingue do que a moderna administração apelidou
de “vestir a camisa” de uma empresa?
Nos propósitos, poderíamos arriscar uma
resposta. O hospital tem um fim meritório e as grandes corporações atendem às
necessidade de milhões de pessoas, enquanto o condado servia apenas para o
benefício de uma família.
A resposta, porém, não é tão simples, a
nobreza na Inglaterra desempenhava funções sociais importantes, que não vou
antecipar porque não quero furtar de ninguém o prazer de assistir à série. Só
posso antecipar que a grande guerra viria a mudar tudo e parir a sociedade
contemporânea na qual as pessoas se curvam a poderes desumanos e invisíveis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário