Por que Curitiba?
Não é difícil, mas é doloroso, explicar os motivos 20 anos depois.
Acontece que S é judia e eu não, ou, pelo menos, achava que não era.
Resultado: nosso casamento nunca foi aceito por Sansão, o que bastava para o excluir o Rio de Janeiro de nossos planos. Por outro lado, minha mãe e S nunca se deram bem, por culpa, é preciso reconhecer, de minha “yidiche mame”, por esse motivo o Recife também estava descartado.
Não podíamos permanecer em Brasília, afinal desistir do Sarah significou abrir mão de qualquer esperança de melhoria salarial e, mais grave do que isso, ver nossos salários serem esmagados pela inflação e pelo custo de vida da capital.
Precisávamos achar um lugar para ir.
Conhecemos muitos paranaenses no Sarah que prestaram o concurso motivados pela promessa de que seria construído um hospital em Curitiba. Como já antecipei isso em outro post, os locais que receberiam hospitais da futura rede Sarah – na verdade, já havia hospitais em BH e no Rio mesmo antes da aprovação da Lei nº 8.246/91 – foram escolhidos para atender aos interesses políticos dos padrinhos de Campos da Paz: Sarney e ACM, e, de um novo amigo de conveniência, o ministro da Saúde de Collor de Mello, Alceni Guerra, ex-prefeito de Pato Branco-PR.
Objetivamente, a história foi a seguinte: um colega farmacêutico, O, nos colocou em contato com o Dr. Osmar Martins, diretor do Hospital de Clínicas da UFPR, que aceitou nossos pedidos de redistribuição e, assim, viemos morar na cidade dos pinhões*
Subjetivamente, ainda é muito cedo para avaliar.
* Para quem não sabe, a palavra Curitiba, vem de Corê-Etuba que significa pinhal, ou muito pinhão em tupi-guarani.
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