Brasil x México
Foi um bom jogo. Truncado, parelho, um espetáculo mais de tensão que de beleza, como é a regra no futebol de hoje, para desalento e perplexidade de quem só assiste a jogos na Copa do Mundo e só se interessa pelo resultado.
É certo que o goleiro do México, Ochoa, foi o melhor em campo, mas não sei se essa Seleção, sem a dose de confiança extra proporcionada por jogar em casa, iria muito longe em qualquer outro torneio.
Por enquanto é só uma intuição, mas temo pela integridade emocional desses rapazes, caso eles se vejam perdendo e não recebam uma mãozinha providencial da arbitragem; cada um deles parece se ver como um heróis escolhido pelas Parcas para lavar a honra da Mãe-Pátria.
Ao contrário dos alemães que realizaram uma copa impecável em 2006 e se limitaram, com sucesso, a receber bem os estrangeiros, nós estamos oferecendo um copa precária, em lugares impróprios para a prática do esporte, quando menos pelo horário dos jogos, e fazemos questão de nos gabarmos de sermos os melhores, em uma mistura de recalque, megalomania e ignorâcia.
Com isso quero dizer que acho uma grande falta de educação cantar a horrível: "eu sô brasilêêêro, com muito orgulho, com muito amor" nas partidas de outras seleções.
Sem contar que é um música baixo-astral. Vai caind e caindo e caindo, até se afundar em um baixo irrecuperável:
"Eu
Sô
Brasilêêêro
Com..."
Orgulho de quê mesmo?
A propósito, a "hubris" é a semente da tragédia.
Até aqui, as duas jogadas que mais me chamaram atenção nesta copa não aconteceram em jogos do Brasil; ambas aconteceram nos últimos minutos das partidas, a primeira sacralizou a honra, a segunda, o acaso.
No jogo Suíça e Equador, depois de um rebote da defesa, um jogador suíço dominou a bola na sua intermediária e começou uma arrancada improvável na direção do gol adversário. Eis que na altura do meio de campo sofreu uma falta mais frequente no rugby do que no futebol. Todos os jogadores não abençoados com o dom do heroísmo, rolariam pelo gramado aguardando pelo apito final, mas não o nosso suíço, ele se levantou como um raio e continuou sua corrida rumo à memória perpétua do futebol.
Deu mais uns passos com abola, tocou na esquerda para um companheiro que cruzou para um terceiro fazer o gol decisivo.
Ninguém se lembrará no futuro do segundo gol do Brasil contra a Croácia, o feito de Mehrani, porém, deveria ser ensinado nas escolas;
- Veja como deve se comportar um homem, meu filho!
Depois falo sobre o segundo gol dos EUA no jogo contra Gana, agora, estou quase bateria.
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