segunda-feira, 16 de junho de 2014

Continuação. 119 de n.

Antes que me esqueça, meus netos, deixe-me registrar para vocês alguns descalabros perpetrados pela FIFA no século XX, se é que ainda vai haver futebol e federações quando vocês lerem essas anotações tão avulsas quanto inúteis.
Não, não vou tratar de erros de arbitragem, que sempre podem ser atribuídos à falibilidade humana, mas sim às intervenções da cúpula do futebol e de governos nos resultados das copas, seja por ação direta, seja por omissão criminosa.
Em 1962, o maior jogador do Brasil naquela copa, Mané Garrinha, foi expulso na semifinal contra o Chile e, apesar de ser proibido o jogador expulso atuar na partida seguinte, a FIFA em conluio com a CBD (antecessora da CBF) absolveu o gênio das pernas tortas a tempo de ele jogar a final. Resultado: Brasil bicampeão do mundo. “A copa do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa...”.
Já em 1978, foi a vez de a Argentina ser beneficiada pelo regulamento da FIFA, que lhe permitia jogar por último em cada rodada, sabendo, de antemão, dos resultados dos adversários e, assim, de quantos gols precisava para se classificar. Na última partida antes da final, a AFA (a CBF argentina) comprou meia seleção do Peru e lhe aplicou uma extravagante goleada de 6 a 0, classificando-se, claro, para a decisão.
Vocês me perguntam se a FIFA promoveu alguma investigação para apurar a possibilidade de ter havido favorecimento ao time da casa?
Não, meus pequenos, de um lado havia a ditadura militar argentina, que só terminou depois de levar o pais a derrota militar vergonhosa diante dos britânicos nas Ilhas Falklands, e, do outro, a FIFA, então sob o comando do belga-brasileiro João Havelange.
Era impossível um investigação honesta vir a ser conduzida por promotores tão suspeitos. Resultado: Argentina, enfim, campeã do mundo.

Um breve parêntese: na época, quando se perguntava aos argentinos por que, mesmo tendo revelado tantos grandes jogadores para o futebol mundial, o país nunca tinha sido campeão mundial, os hermanos faziam troça e respondiam: “se você tem um argentino no time, você tem um bom time; se você tem dois argentinos em um time, você tem um grande time; mas se você põe três argentinos em um time, aí você não tem mais time nenhum”.
Fillol, Ardiles, Kempes, Passarela e Tarantini, comandados por César Menotti e sob as bênçãos do General Videla e de João Havelange quebraram a maldição, sacrificando a liisura..


Para não falar da até hoje inexplicada e conveniente convulsão de Ronaldo Nazário na véspera da final de 1998, contra a França em Paris que conferiu aos fundadores da FIFA seu primeiro título mundial.

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