domingo, 22 de junho de 2014

Continuação. 123 de n.

Conheci meu futuro local de trabalho antes mesmo de entrar em exercício no cargo. Durante o período de trânsito entre Brasília para Curitiba, de 30 dias,  tive uma violenta crise de asma e entrei pela primeira vez no Hospital de Clínicas/UFPR como paciente.
O pouco de fôlego que eu ainda tinha se acabou na subida da escadaria do prédio central, tive de ir até a sala de nebulização com a ajuda de uma cadeira de rodas. Isso nunca tinha acontecido comigo antes, nem depois, graças a D’us; acho que foi por causa do choque térmico, saímos de Brasília debaixo de um frio tremendo, chegou a fazer 16 graus naquele maio de 1992, a temperatura mais baixa registrada para o período até então. Pensei com meus botões: “Curitiba, não deve ser muito pior do que isso.”

Estava redondamente enganado.

Quando chegamos a média era 9 graus com chuva;  a umidade invadia tudo e as casas não têm, até hoje, sistema de calefação. Sofremos muito no começo. S tinha banzo, queria o tempo todo voltar para o Rio, eu tive asma e D, anemia. Era difícil, até na hora de dormir, debaixo das cobertas, quando a gente se mexia, encontrava o lençol gelado.
Ficamos, como disse, três longas semanas na casa da família O, que D’us os abençoe, até conseguirmos nos mudar para um apartamento de três quartos no bairro da Água Verde. O aluguel que era cobrado lá era igual ao do nosso antigo cubículo de quarto-e-sala em Brasília. Pudemos dar um quarto para Daniel e montar um escritório no quarto remanescente.

Mas não tínhamos visto nada, o inverno ainda nem tinha começado.

Com os anos, nos acostumamos, mas no começo era muito ruim, ter que tirar D do berço quentinho e levá-lo para a creche com a temperatura na casa de um grau. Quando fazia sol, era ainda mais frio, apesar de menos desagradável. Essa luta contra os elementos durou, naquele ano, até outubro, eu já nem acreditava que poderia sair de casa sem casaco de novo. Onde estaria aquela Curitiba que conheci no verão de 1980?

Acho que estou escrevendo sobre isso hoje, porque o inverno está recomeçando e o frio nos cerca por todos os lados, limitando nossos movimentos de novo. Ano passado nevou, depois 29 anos. Não foi uma neeeve, assim de encher a boca, mas dá para dizer que vimos neve  no Brasil. A previsão para esse ano é ainda mais gelada.

Acho que minha mãe deve estar estranhando a mudança, mas infelizmente ela já não consegue se expressar com clareza, sempre que lhe pergunto se está com frio, ela diz que não, apesar das mãos geladas. Comprei um lençol térmico para ela que, pelo menos, faz com que a noite não seja insuportável.

Andei pensando em me mudar para uma cidade com um clima mais ameno, mas agora as crianças estão grande e nossa liberdade de movimento é muito menor. Fizemos....quantas mesmo? Quatro, quatro mudanças desde então, duas delas continentais.

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