Quando eu
pensava que já tinha esgotado o assunto Sarah Kubitschek neste minúsculo espaço
virtual, eis que dois fatos não digitais me obrigam a escrever um
epílogo.
Na última página
da revista Veja desta semana, na coluna de Roberto Pompeu de Toledo, há uma
matéria laudatória sobre Lúcia Braga, ao que parece a herdeira do Dr. Campos da
Paz no Sarah. Refratário aos médicos, Campos, agora recolhido a uma espécie de
Papado Emérito, ungiu uma baronesa como sua sucessora.
Lucinha entrou no hospital como musicóloga, depois chefiou o setor de Psicologia, foi
chefe imediata de S, e chegou mesmo a tentar convencê-la a permanecer no Hospital. S gostava dela, mas
eu não suportava mais a convivência com o entourage
de Campos da Paz e tinha certeza que não havia possibilidade de uma solução híbrida, com Sarah,
no Hospital e eu em outro lugar em Brasília. Certamente, ela seria
demitida em represália, este era o estilo do Campos, este é
o estilo de Brasília.
Eu gostava de
Roberto Pompeu de Toledo, é um cronista de grande talento, o preferido de 9
entre 10 bancas de vestibular, assino a revista porque S vai fazer vestibular este ano. Em mais de uma ocasião, eu o vi criticar os grande
males da política brasileira representados pelo o patrimonialismo, pelo coronelismo,
pela falta de zelo com a coisa pública etc.
A figura quintessencial desses males,
Toledo já salientou em uma ou outra crônica, é o ex-presidente José Sarney, mas ele
poderia igualmente ter-se referido a ACM, ou Jáder Barbalho.
Depois de ler a coluna
desta semana, fiquei pensando com meus botões será que ele sabe que Sarney é um dos padrinhos
de Campos da Paz?
Será que ele sabe que há um hospital Sarah em São Luís, em
homenagem a Sarney? E que há outro em Salvador, em reverência a ACM? Que haveria
um em Curitiba – e, em parte, por isso nós estamos aqui hoje – em atenção ao
ex-ministro da saúde, o paranaense Alceni Guerra? Em tempo, Alceni caiu em
desgraça e o projeto do Sarah-Curitiba foi para a geladeira.
O próprio motivo
pelo qual ele escreve sobre Lucinha é porque ela teria recusado uma proposta milionária para criar um hospital à Sarah no Catar. Isso não me surpreende tanto, pois todos sabemos que a vida não é fácil para
uma mulher em um país islâmico, mesmo sendo uma convidada de honra de uma das esposas do xeque absolutista que governa o emirado.
O que mais me
chamou atenção, foi saber que os contatos entre o Sarah e o Islã, desde os
tempos em que a representação diplomática do Irã, visitou o laboratório de
movimento onde eu trabalhava, persiste duas décadas depois.
Por quê?
Não sei a
resposta, mas não me parece nada edificante.
O segundo fato real que me levou a escrever este epílogo, foi ter me metido involuntariamente no
meio de uma manifestação contra a implantação do modelo Sarah no Hospital de
Clínicas da UFPR.
Diante da
resistência da comunidade acadêmica à ideia, como contei no post anterior, mas pressionado pelo Ministério da Educação ou será o da Saúde, não importa, o
diretor do HC, em tempo relâmpago, marcou uma reunião surpresa do conselho universitário para tratar do assunto, imaginem, na sede dos Correios!
Acontece que a notícia vazou, o local
da reunião, foi descoberto e uma massa de manifestantes se aboletou na porta
dos sede dos Correios na Rua João Negrão, por onde eu tenho de passar todos os dias para chegar à Delegacia de Julgamento.
O Sarah me
persegue, pensei...
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