segunda-feira, 9 de junho de 2014

Continuação. 115 de n.

Quando eu pensava que já tinha esgotado o assunto Sarah Kubitschek neste minúsculo espaço virtual, eis que dois fatos não digitais me obrigam a escrever um epílogo.

Na última página da revista Veja desta semana, na coluna de Roberto Pompeu de Toledo, há uma matéria laudatória sobre Lúcia Braga, ao que parece a herdeira do Dr. Campos da Paz no Sarah. Refratário aos médicos, Campos, agora recolhido a uma espécie de Papado Emérito, ungiu uma baronesa como sua sucessora.

Lucinha entrou no hospital como musicóloga, depois chefiou o setor de Psicologia, foi chefe imediata de S, e chegou mesmo a tentar convencê-la a permanecer no Hospital. S gostava dela, mas eu não suportava mais a convivência com o entourage de Campos da Paz e tinha certeza que não havia possibilidade de uma solução híbrida, com Sarah, no Hospital e eu em outro lugar em Brasília. Certamente, ela seria demitida em represália, este era o estilo do Campos, este é o estilo de Brasília.

Eu gostava de Roberto Pompeu de Toledo, é um cronista de grande talento, o preferido de 9 entre 10 bancas de vestibular, assino a revista porque S vai fazer vestibular este ano. Em mais de uma ocasião, eu o vi criticar os grande males da política brasileira representados pelo o patrimonialismo, pelo coronelismo, pela falta de zelo com a coisa pública etc. 

A figura quintessencial desses males, Toledo já salientou em uma ou outra crônica, é o ex-presidente José Sarney, mas ele poderia igualmente ter-se referido a ACM, ou Jáder Barbalho.

Depois de ler a coluna desta semana, fiquei pensando com meus botões será que ele sabe que Sarney é um dos padrinhos de Campos da Paz? 

Será que ele sabe que há um hospital Sarah em São Luís, em homenagem a Sarney? E que há outro em Salvador, em reverência a ACM? Que haveria um em Curitiba – e, em parte, por isso nós estamos aqui hoje – em atenção ao ex-ministro da saúde, o paranaense Alceni Guerra? Em tempo, Alceni caiu em desgraça e o projeto do Sarah-Curitiba foi para a geladeira.

O próprio motivo pelo qual ele escreve sobre Lucinha é porque ela teria recusado uma proposta milionária para criar um hospital à Sarah no Catar. Isso não me surpreende tanto, pois todos sabemos que a vida não é fácil para uma mulher em um país islâmico, mesmo sendo uma convidada de honra de uma das esposas do xeque absolutista que governa o emirado.

O que  mais me chamou atenção, foi saber que os contatos entre o Sarah e o Islã, desde os tempos em que a representação diplomática do Irã, visitou o laboratório de movimento onde eu trabalhava, persiste duas décadas depois.

Por quê?

Não sei a resposta, mas não me parece nada edificante.

O segundo fato real que me levou a escrever este epílogo, foi ter me metido involuntariamente no meio de uma manifestação contra a implantação do modelo Sarah no Hospital de Clínicas da UFPR.

Diante da resistência da comunidade acadêmica à ideia, como contei no post anterior, mas pressionado pelo Ministério da Educação ou será o da Saúde, não importa, o diretor do HC, em tempo relâmpago, marcou uma reunião surpresa do conselho universitário para tratar do assunto, imaginem, na sede dos Correios!

Acontece que a notícia vazou, o local da reunião, foi descoberto e uma massa de manifestantes se aboletou na porta dos sede dos Correios na Rua João Negrão, por onde eu tenho de passar todos os dias para chegar à Delegacia de Julgamento.


O Sarah me persegue, pensei...

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