quarta-feira, 18 de junho de 2014

Continuação. 121 de n.

Assisti ao jogo EUA X Gana com D que, depois de passar um ano na Pennsylvania, decidiu adotar o americano como seu segundo time.  No futebol, os ianques são "underdogs". Foi um jogo tenso, de limitada técnica. Com 30s de bola rolando, Dempsey fez um bonito gol para os americanos, que a partir daí, perseguidos pela sorte e por (mais) uma arbitragem leniente, começaram a sofrer sucessivas baixas no elenco: primeiro, Altidore com um estiramento na coxa, depois Dempsey, vítima de uma pernada desleal no rosto que o obrigou jogar com um algodão enfiado no nariz e, por fim, dois zagueiros contundidos, um deles substituído ainda no intervalo.
O time de Gana, favorecido pela sorte, foi tomando conta do jogo e só não conseguiu empatar mais cedo por preciosismo de seus jogadores e pela abnegação com que os americanos, acuados, se entregavam com gana, com o perdão do trocadilho, à defesa do magro 1X 0.
Finalmente, faltando uns 15 minutos para o fim da partida, saiu o gol de empate.
-Eles vão virar. - sentenciei.
Mal sabia que Sobrenatural de Almeida estava assistindo ao jogo em Natal.
A poucos minutos do apito final, em uma escaramuça perto da linha de fundo, um jogador ganense que protegia a bola, esperando por um tiro de meta, enrosca-se com um americano e tem a infelicidade de tocar por último na bola - com o calcanhar - e ceder o escanteio.
Tirando o gol relânpago, aquele escanteio foi o único lance agudo dos EUA em toda partida.
O escanteio é cobrado, e quem sobe sozinho para cabeçear e fazer o gol decisivo do jogo?
Ora quem? O zagueiro que entrou no intervalo.
Nu? EUA 2 X 1 Gana.

O futebol é fascinante, e esse lance é apenas mais um exemplo de muitos, porque é o único esporte que copia a vida e permite que o acaso, decida a parada a favor do mais fraco.
O que nos leva à tormetosa questão: estamos no comando de nossas vidas, como a cultura da auto-ajuda quer fazer crer?
Estou entre os que acham que não...

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