domingo, 11 de maio de 2014

Continuação. 91 de n.

O que Fernando Collor de Mello, Zico a primeira-dama dos EUA, Barbara Bush, e a representação diplomática do Irã no Brasil, em 1991, têm em comum?
Simples, todos me visitaram no Laboratório de Movimento do Sarah Kubitschek .
Do ex-presidente cassado não tenho muito a dizer, acompanhado de uma entourage de repórteres e puxa-sacos, ele apenas passou pelo laboratório em visita de pura marquetagem. Por um dever de urbanidade, tive que apertar a mão do patife.
Alguns meses depois, Zico, ministro dos esportes de Collor - ele deve detestar carregar isso no seu currículo - também visitou o laboratório. Foi muito simpático, fez perguntas e me deu uma ideia: e se usássemos a tecnologia da Oxford Metrics para treinar atletas, por exemplo, a bater faltas tão bem quanto ele ou Nelinho? Muito depois, quando já estava em Curitiba, assisti a uma reportagem que mostrava um centro esportivo que fazia exatamente o que eu pensara, mas aplicado à natação.
No Sarah, contudo, naquela época, um projeto assim não teria chances de prosperar, porque o Hospital fazia muita questão de alardear ser um ente público, que se dedicava exclusivamente a prestar serviço gratuito e de qualidade à população, isso também era marketing.
Brasília é marketing.

A ex-primeira Dama Barbara Bush, que veio ao Brasil acompanhando o presidente George Bush, pai, deixou em mim uma impressão muito positiva, ouviu com interesse a explicação sobre o funcionamento do laboratório feita em um inglês macarrônico pelo próprio Campos da Paz e estava acompanhada por menos gente que Collor. Para quem não conhece, Barbara Bush é uma aristocrata que não pinta os cabelos brancos e se parece muito com uma querida amiga da Sinagoga do Beit Chabad, S.
Mais curiosa e sintomática foi a visita dos representantes da República Islâmica do Irã.
Os iranianos, como se sabe, lutaram uma guerra cruenta com o Iraque nos anos 80, que deixou muitos veteranos de guerra mutilados, mas, em razão do isolamento internacional do país, angariado pelo regime fanático e filo-terrorista, estavam desprovidos de meios para fornecer atendimento ortopédico adequado a esses pacientes.
Resolveu garimpá-lo no Brasil e o Dr. Campos da Paz farejou aí uma boa oportunidade, visitou Teerã e recebeu diplomatas do Irã no Hospital Sarah em Brasília. Eram dois barbudinhos metidos em batas abotoadas até o pescoço. Eles ouviam toda explicação sobre o Laboratório sem demonstrar muito interesse, até que...

Corria o ano de 1991, os EUA lideraram uma grande força internacional que expulsou Saddan Hussein do Kwait, com o aval da ONU; em uma tentativa desesperada de agregar o mundo islâmico contra a aliança internacional, o ditador iraquiano disparou mísseis contra Israel, esperando que uma reação israelense lhe desse o pretexto de que precisava para se autoproclamar califa. Só quem endossou sua loucura, foi o não menos lunático lider palestino Yasser Arafat.
A iniciativa, graças a D'us fracassou, porque os EUA levaram a Eretz Israel um, então, novíssimo  sistema de defesa anti-aérea que usava mísseis chamados Patriot. A ideia era detectar os mísseis inimigos no ar, valendo-se de ondas eletromagnéticas, e abatê-los - com os Patriots - antes que tocassem o solo.

Voltando aos iranianos, eles ouviam toda aquela história sobre capturar as posições das marcas postas nas articulações dos pacientes quase bocejando, até que o Dr. Campos da Paz lhes disse que aquela era, em essência, a mesma tecnologia usada pelos mísseis Patriot.

Nesse momento, quase dava para ouvir um Plim! Na cabeça dos barbudinhos.

Os olhos dos diplomatas brilharam, passaram a mãos nas câmera, quiseram ver a sala dos computadores...

Essa é a mesma gente que afirma querer desenvolver energia nuclear para fins pacíficos.


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