Ontem, fomos assistir a um filme franco-italiano intitulado Um castelo na Itália.
Não é uma obra prima, mas não se pode dizer que seja um filme ruim. A história é plausível (exceto por uma uma coincidência montada sobre outra coincidência), os atores são bons, o ritmo é agradável e os cortes feitos pelo diretor nas tramas do enredo obrigam o espectador a juntar as pontas que ficaram soltas. Gosto disso.
Mas eu gostei mesmo foi de uma fala, posta na boca de um personagem que é ator. Ele reclama que está cansado de ser uma marionete e de dizer coisas que outros pensaram e escreveram.
Eu sempre disse isso! Atores são médiuns que encarnam vozes alheias. Basta ver como se comportam em entrevistas ou nas cerimônias de premiação em que aparecem sem as máscaras - suas ferramentas de trabalho. Ora são vazios, ora histriônicos, quase sempre interesseiros - fazendo propaganda de seus últimos trabalhos - e só muito raramente tão interessantes quanto os personagens que interpretam.
Só por esse reconhecimento, o filme, para mim, merece uma nota 8.
"Então não sou só eu que acha isso"- pensei.
S também percebeu: "o ator concordou com v".
O aspecto negativo é que presenciamos mais um caso explícito de falta de civilidade aqui em Curitiba: um casal sentado atrás de nós ficou o tempo todo da sessão falando em voz alta, pondo os pés na cadeira da frente, apesar das muitas reclamações:"Sh!" que não foram apenas nossas.
Quando as luzes se acenderam a estranheza aumentou ainda mais, o "casal" de selvagens era formado por um sujeito de meia idade - parecido até com o vizinho mal-encarado com quem quase briguei no elevador - e uma menina que parecia ser filha dele. Pode ser que estejamos enganados - devemos estar - mas parecia um caso flagrante de pedofilia. Não por acaso, durante o filme, a menina dizia: "não estou entendendo..." e o seu, como dizer, parceiro lhe explicava em voz alta o que estava acontecendo sem se preocupar com o fato de estar incomodando todos os demais presentes.
Estamos assim no Brasil. Na sexta-feira, encontrei com dois colegas de trabalho e lhes contei do episódio do elevador, eles ficaram surpresos porque sabem que não sou de comprar briga à toa, um deles, em reforço contou que naquela mesma semana viu um carro avançar um sinal vermelho, quase na frente do escritório onde trabalha e quase atropelar um senhor idoso. A vítima reclamou e o motorista infrator, mais um brutamontes, em vez de se desculpar, parou o carro e pôs-se a gritar, chamando palavrões e a ameaçando o idoso.
E não há o que se possa fazer, sem correr o risco de enfrentar coisa ainda pior.
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