Por que eu representei o conselho de administração do Sarah como uma panela?
Porque, antigamente, uma patota, uma turma, um grupo eram chamados de "panelas", e se as panelas fossem exclusivistas, "panelas fechadas"". Não encontrei termo melhor para descrever figurativamente o conselho do Sarah porque ele foi concebido assim, exclusivista e excludente desde o princípio.
Ao membros do conselho compete supervisionar o funcionamento do hospital, aprovar as suas contas, essas coisas, sempre de acordo, eis o ponto crítico, com a “filosofia” da instituição. Essa “filosofia” consiste em um conjunto de doutrinas, nominalmente bonitas, advogadas pelo Dr. Campos da Paz, por exemplo: a) o serviço médico deve ser prestado gratuitamente, b) o hospital deve ser administrado como uma entidade privada; c) todo ensino de medicina no país deve ser repensado; d) o corporativismo médico deve ser deixado de lado etc. Como qualquer programa político, fica melhor no papel que na prática.
Como já disse aqui, muitos anos antes, meu tio J colocou em cheque a sabença do seu colega Campos...
Os figurões escolhidos para o primeiro mandato no primeiro conselho, eram amigos, ou mais precisamente, aliados políticos de Campos, falarei mais deles adiante. Com o passar dos anos, o grupo seria renovado periodicamente, mas o ingresso na panela dependia de indicação dos conselheiros remanescentes. Esse mecanismo deve estar em funcionamento até hoje.
O Sarah tornou-se, de fato, um baronato vitalício e hereditário!
Como era esperado, Campos da Paz se perpetuou no poder, notem que estávamos em 1991, antes do impeachment de Fernando Collor de Mello, depois disso passaram pela presidência da república Itamar Franco, FHC, por dois mandatos, Lula da Silva, por duas vezes, e agora dona Dilma, a presidenta-incompetenta.
Quando Campos, graciosamente, resolver se aposentar, ainda lhe será permitido escolher "o mais digno", para sucedê-lo no feudo. Em tempo, Dr. A, o número dois, com quem viajei aos EUA e ao Canadá, caiu em desgraça durante a transição e também saiu do hospital. Expurgos assim são tão comuns em regimes tirânicos que nem mereceria ser mencionado, exceto por uma frase, que o Dr. A me disse, um pouco antes de voltar para a Faculdade Paulista de Medicina: "todo ambiente de hospital é doentio", pura verdade.
Resta explicar porque precisei me corrigir quando disse que os conselheiros eram amigos do diretor-executivo. Isso não é verdade, apesar de o termo "amigo" estar atualmente um pouco desvalorizado pela redes sociais, continua sendo, na minha opinião, um bem muito raro e precioso. Além disso, somente os homens de bem – “Mensch” em iídiche – têm amigos; políticos têm aliados, camaradas ou companheiros; bandidos têm comparsas; nobiliarcas têm súditos, jogadores, parceiros.
Duvido que Campos tenha algum amigo.
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