Eu não tinha a menor chance de passar no concurso da Receita de março de 1994. Se alguém disser que passou sem estudar, pode apostar que está mentindo, mas um mês e meio de estudo também não é suficiente quando nunca se estudou contabilidade e direito na vida.
Mas...havia o que comemorar. Aquele concurso foi marcado por alguns problemas: muitas questões anuladas, suspeita de cola (fila) eletrônica na cidade de Santos, em São Paulo. No frigir dos ovos, meu desempenho foi razoável, um convite a dobrar a aposta.
Meu raciocínio foi seguinte: contabilidade – depois que as convenções são entendidas – não é difícil para quem fez cinco disciplinas de cálculo na faculdade de Engenharia Elétrica, o mesmo, pode ser dito para estatística e matemática financeira.
Português e inglês não eram problema tampouco, para um cdf que sempre se saíra bem nessas matérias desde os tempos do cursinho.
Uma ressalva, as provas de português da ESAF – órgão responsável pelos concursos da Receita Federal - costumam ser bem difíceis. Vejamos uma questão clássica, de que me recordo.
Qual o sujeito da oração: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heróico, o brado retumbante”?
: - )
Colocando na ordem convencional, temos: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Assim fica mais fácil, não?
E quanto ao Direito? Bom, eu comecei pelo Direito Tributário, que é, como posso dizer?, na época, eu chamaria “lógico”, mas, hoje, não me parece um termo apropriado, fiquemos, então, com “prático”. Rapidamente, elaborei diagramas – engenheiros são bons nisso – que me ajudaram a memorizar todo o conteúdo da matéria.
Fiz o mesmo para as demais matérias.
Constitucional? Rol de regras de estrutura do estado e de princípios humanistas bem-intencionados. Administrativo? É bom conhecer, atém mesmo para o dia a dia.
E fui por aí afora, racionalizando meu afastamento cada vez mais definitivo das ciências exatas e imersão, progressivamente mais profundo, no mundo da arte jurídica.
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