O que é um cheque?!?
Bom, cheque era um título de crédito muito usado no século XX, que permitia fazer compras sem usar dinheiro em papel. Isso!, Sem precisar daquelas notas de dinheiro que alguns velhos insistem em carregar ainda hoje para fazer seus pagamentos.
E pensar que o dinheiro já foi símbolo da nacionalidade... Na Europa os franceses se orgulhavam do “Franc”, assim como os alemães do “Deutschmark”... Possuir uma moeda forte era sinônimo de contar com uma entidade forte o bastante para emiti-la e, por extensão, com um estado nacional, algo a que se dava muita importância entre os séculos XVI e XX. Era tão importante quanto a bandeira ou o hino nacional.
Não, não se escreve com xis, xeque com ‘x’ é um título dado a alguns líderes árabes, acho que é algo como “dom” em Portugal ou “sir” na Inglaterra, mas não tenho certeza. Xeque, com xis é também o nome dado ao lance decisivo no xadrez, quando um dos jogadores ataca o rei do adversário. Xadrez era um jogo...deixa prá lá!
Voltando ao começo, eu precisava de cheques para pagar as compras no supermercado ou para comprar, em algumas lojas, produtos de valores mais elevados. Para outras despesas era preciso usar dinheiro mesmo, por exemplo, para pagar o salário da empregada ou uma corrida de táxi. Ainda hoje é assim...
Só para lembrar, eu estava em abril de 1994, alguns meses antes de ser lançado o Plano Real que finalmente debelou a hiperinflação que assolava Brasil havia duas décadas, não por acaso, chamadas de “perdidas”. Qualquer compra semanal em um supermercado custava naquele tempo centenas de milhares de...de...qual era mesmo a moeda da época?
Não importa, o que interessa é que estava indo para a Caixa Econômica – onde sua bisavó Z trabalhou por muitos anos, até se aposentar – pegar um talão de cheques. Talão era um caderninho com dez ou vinte folhas de cheques em branco, que o correntista preenchia dizendo ao banco o quanto devia pagar ao portador, tecnicamente é o que se chama de odem de pagamento à vista, apesar de no Brasil termos inventado o "cheque predatado", mas voltemos ao ponto.Quando atravessei a rua General Carneiro, onde fica o Hospital de Clínicas, vi em uma banca de revistas uma manchete na qual se lia:
BANCO CENTRAL – INSCRIÇÕES ABERTAS.
Em um país que sofrera sucessivas catástrofes econômicas, o Banco Central era um órgão público de elite, que vivia o tempo todo nos noticiários, parecia uma cabine de comando que podia controlar o país inteiro, e, de fato, essa era - e talvez ainda seja - uma de suas pretensões.
Eu já aprendera que hospital é lugar para médicos – e paramédicos – e também que eu não servia para fazer mestrado, nem mesmo de administração, então por que não tentar uma vaga na autoridade monetária?
Esse é o título que o Banco Central gosta de ostentar e que remete aos tempos, no começo da idade moderna, em que os rei absolutistas suprimiram as moedas regionais e locais e obrigaram os súditos a aceitar apenas a moeda que eles próprios imprimiam. Hoje isso parece natural, mas nem sempre foi assim...
Estava prestes a dar meu segundo passo no mundo dos concursos.
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