domingo, 17 de agosto de 2014

Continuação. 149 de n.

Meu encanto com o Banco Central durou três meses, foi o tempo necessário para que eu conhecesse o estado das coisas na instituição. Em 1994, o Banco estava há 15 anos sem promover concursos e usando artifícios para corrigir o salário dos empregados. O truque era mexer na tabela de cargos e salários de modo a aumentar os valores para quem estava no topo e diminuir na mesma medida na base, de tal modo que o ponto médio permanecesse inalterado  – com um detalhe: não havia ninguém na base.

Quando a autarquia finalmente percebeu que precisava reforçar seus quadros, tinha sido criado um fosso salarial a separar antigos e novatos, mais ou menos do mesmo tamanho que o da Receita Federal. Os colegas antigos eram legais e solidários, mas não tinham poder para modificar a situação que dependia de negociações difíceis entre o nosso sindicato e o governo, para piorar as coisas, aquele era um momento de ajuste das contas públicas. De brincadeira, eles nos chamaram de “fraldinhas” enquanto nós os chamávamos de “sauros”, no momento em que escrevo, muitos daqueles fraldinhas já têm mais tempo de Banco que os antigos sauros.

Antes porém de eu decidir voltar a estudar para concursos, o Delegado do Banco Central em Curitiba, Jackson Pitombo,  convidou todos os "fraldinhas" para uma conversa em seu gabinete; ele queria saber o que nós estávamos achando da casa, sugestões, críticas, essas coisas. Peguei carona na cola de uma colega, AR*, que ficara lotada em uma área que não era do seu interesse e, com muito tato, para não contrariar os colegas do meu setor, disse que eu também gostaria de mudar, porque, afinal, fizera concurso para o Banco Central para trabalhar em alguma de suas áreas fim e não na manutenção predial, com todo respeito. O Delegado tomou nota de tudo, dali a uma semana eu seria lotado no NUODI.

Não, não é núcleo do ódio, como as más línguas falavam nos corredores, mas Núcleo de Operações Bancárias e da Dívida Pública.

Esse foi o lugar onde passei a maior parte do meu tempo no Banco e posso dizer que fui feliz.

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* AR ela fazia questão de ser chamada pelos dois nomes....

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