domingo, 3 de agosto de 2014

Continuação. 142 de n.

Comprei o JC, Jornal dos Concursos, fui direto à matéria que orientava como fazer a inscrição para o BACEN, para minha surpresa, o salário inicial era aproximadamente o mesmo que eu recebia como engenheiro do Hospital de Clínicas.
Otimista, como os sapos costumam ser, eu pensava: “esse é só o inicial, deve estar defasado e deve subir mais rapidamente que o das multidão de servidores dos quadros técnicos da União”, S concordou comigo.
Na mesma adição do jornal, havia um reclame...
Propaganda, anúncio, “ad”, tá bom?
De um cursinho preparatório para aquele concurso específico. Cursinho você sabe o que é, não sabe?
Ok.
Agora, eu preciso fazer um esclarecimento, ao contrário do Rio de Janeiro, não havia em Curitiba naquela época bons cursinhos e o único que havia se especializara em preparar os candidatos para o concurso da Receita. Desdenhava-se o  Banco Central porque a diferença de salário entre os dois órgão do Ministério da Fazenda era muito grande: 1 para 4, a favor do  fisco.
Não tinha importância, para quem estava começando como eu era até bom tentar a sorte em um concurso menos concorrido, decidimos, S e eu, que valia a penar ver como funcionava aquilo.
Fiz a matrícula, a secretária que me atendeu, lembro até hoje, tinha um ar enfastiado que parecia dizer: “V. acha mesmo que vai passar?”. Se fosse hoje (2014) seria o compadre Washington dizendo: “sabe de nada, inocente”...
As aulas eram à noite, de segunda a sexta, aos sábados, pela manhã e tarde, e nos domingos pela manhã. A razão de tanta pressa é que o concurso seria dali a um mês e pouco, em meados de maio.
Na época, S atendia pacientes em um consultório e não tínhamos com quem deixar D. Para complicar as coisas, ela não dirigia, então o pimpolho ia comigo para o curso, com um touca verde, e ficava desenhando, muito bem–comportado.
Foi ali, no Diapar, que  não existe mais, que tive minhas primeiras aulas de direito, nas quais aprendi que dolo, se lê com a vogal aberta, como em Pernambuco, dólo e nunca dôlo...




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