quinta-feira, 17 de julho de 2014

Continuação. 132 de n.

Minha premissa era a seguinte: o que eu realmente sei fazer com excelência é estudar. A conclusão, então, me parecia óbvia: voltar à atividade acadêmica. Contrariando esse raciocínio, meu cunhado, I, me sugeria prestar concurso para fiscal, mas naquele inverno de 2003, apesar de atolado em um mar de dificuldade para exercer a profissão - leia-se salários baixos - e recém saído de uma experiência empresarial mal sucedida, eu ainda considerava estudar Direito e Contabilidade uma espécie de traição aos anos que passei suando a camisa na faculdade de Engenharia.
A UFPR se encarregou de resolver o meu dilema ao abrir naquele ano a primeira turma do curso de mestrado em Administração. Era, sob qualquer ponto de vista, uma boa solução intermediária. Aquele mestrado era, ao mesmo tempo, uma atividade acadêmica, técnica (cum granum salis) e com uma perspectiva profissional interessante para o futuro, pelo menos era assim que eu pensava..
Digo mais, eu atendia a todos os requisitos do edital de seleção: tinha experiência anterior, graças ao bom curso que fizera na Açonorte - na época não cheguei a mencioná-la, mas minha recente experiência empresarial, ainda que fracassada, poderia ser encarada como um elemento a meu favor. Além do mais eu não precisaria de bolsa de estudos, porque continuaria a receber meu salário durante todo curso  e, não menos importante, estaria dispensado do trabalho para me dedicar exclusivamente aos estudos, porque essa era, afinal, a política de gestão de pessoas da universidade em relação aos servidores matriculados em cursos de pós-graduação.
Restava fazer uma prova e uma entrevista.

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