segunda-feira, 28 de julho de 2014

Continuação. 138 de n.

Frei Luca Pacioli, que viveu na segunda metade do século XV e começo do século XVI, foi um bem-aventurado, afinal, quantos homens fundaram uma ciência –  a contabilidade – e, ao mesmo tempo, gozam do privilégio de uma de suas obras ter sido ilustrada por ninguém menos que Leonardo da Vinci? 
Pois bem, o método das partidas dobradas, inventado pelo franciscano Luca, permitiu aos empreendedores de sua época registrar com rigor e simplicidade o comportamento do patrimônio das sociedades comerciais, novidade que começava a florescer e prosperar na Itália da Renascença.
Em essência, as coisas não mudaram muito desde então, um novo interessado, porém, foi atraído pelos sinais de riqueza: o Fisco, representado no Brasil, como muito acerto por um leão. 
Assim como a abundância de caça atrai predadores, indícios de afluência chamam a atenção do estado. Não é por outro motivo que os concursos para fiscais exigem um sólido conhecimento de contabilidade; para mim, e para todos os iniciantes, porém, causa profunda estranheza aprender que, quando uma quantia ingressa na conta bancária de uma pessoa jurídica, ocorre um "débito" e, ao contrário, quando sai dinheiro dessa conta, tem-se um "crédito".
Não pretendo, aqui, ensinar contabilidade para você leitor assustado, registro apenas que se trata de mera convenção, semelhante a que, no mundo inteiro, engenheiros e eletricistas empregam em seus circuitos elétricos. Isso mesmo, para estabelecer o sentido da corrente elétrica, o  técnico “faz de conta” que os prótons estão se deslocando, quando sabe, há muito tempo, que se dá exatamente o contrário. Em ambos os casos, o resultado é obtido, a despeito da convenção.
Haveria explicações para os dois fenômenos e talvez coubesse uma discussão filosófica a respeito do tema, mas não agora. Por enquanto, digo que por um mês e meio, entre fevereiro e março de 1994, eu me preparei com apostilas e com o livro de Osni Moura Ribeiro para o concurso AFTN - MARÇO de 1994.
As provas ocorreram na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, no Prado Velho em Curitiba, próxima do lugar onde agora estou trabalhando, 20 anos depois.

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