domingo, 13 de julho de 2014

Continuação. 130 de n.

Depois de uma ligeira parada para assistir à copa, ao aniversário de minha sogra no Rio (durante a copa) e para ler o material de um curso de processo administrativo fiscal ainda não concluído, volto a publicar histórias.

Além do vírus e da especificação da rede de microcomputadores não lembro mais o que eu fazia no HC, certamente não era grande coisa. Comecei, então, a a pensar em aproveitar uma parte do meu tempo livre para montar um negócio.

Eu e mais dois colegas, T e S, decidimos montar uma sociedade para desenvolver softwares. Bill Gates estava com os dias contados...

A distribuição dos trabalhos seria mais ou menos a seguinte: eu e T escreveríamos os programas, enquanto S, que era programador, mas tinha um grande talento para vendas, ficaria encarregado da distribuição.

Na prática, porém, funcionou assim: eu trabalhava, os outros dois assistiam.

Fechamos o primeiro contrato. Uma colega da Assessoria de Informática do HC nos indicou um parente de seu marido que  tinha umas ideias na cabeça. Era um árabe endinheirado, ele pretendia criar um programa com, digamos, "scripts" predefinidos que orientassem sua equipe de telemarketing quando ela atuasse, quer dizer, quando ligassem para infernizar as pessoas oferecendo produtos.

O nome da empresa seria Massari, que significa dinheiro em árabe, nosso cliente se regozijava, com razão, com a escolha do nome, atingia a três públicos, o nome soava familiar, não apenas para árabes,mas igualmente para japoneses e italianos. E a ideia também era boa: oferecer para vendedores, ainda, não qualificados roteiros, elaborados pelo turco, que era craque em vendas, que ajudasse a empurrar cosméticos para clientes escolhidas a partir de informações que ele guardava em segredo. Não sei como ele obtinha as informações do público alvo, os cosméticos certamente eram descaminhados do Paraguai.

O sujeito, A, era realmente bom de lábia, um vendedor nato, ninguém melhor do que ele para indicar o caminho das pedras, para as futuras vendedoras. Onde é que eu vi essa mesma ideia exposta recentemente? Claro, no filme O lobo de Wall Street.

Ainda hoje, 21 anos depois, tenho que tirar o chapéu para o turco.

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