Fomos no fim de semana passado assistir a um filme intitulado "O palácio francês", uma comédia sobre o funcionamento do ministério de relação exteriores da França. Não recomendo a ninguém perder duas horas de entretenimento para assistir a exíguos quinze minutos de humor, fora o valor dos ingressos e da pipoca. Sinto-me, então, livre para falar um pouco mais sobre a história.
Tudo gira em torno da caricatura de um ministro de relações exteriores de um governo de direita na França (possivelmente Dominique de Villepin) e se passa em um magnífico palácio em Paris, possivelmente do tempo da Monarquia. O ator que faz o ministro ridículo entra em cena uma dezena de vezes sempre para repetir a mesma piada: atazanar a vida de sua equipe de assessores com caprichos e superficialidades. É uma espécie de Inspetor Clouseau da diplomacia.
Há mais alguns aspectos ridículos no filme, que não sei se era intenção da produção exibir. Em primeiro lugar, a quantidade de "aspones"* que orbita em torno do fanfarrão às custas dos contribuintes franceses, para fazer parecer que o país ainda exerce algum protagonismo no mundo, quando na verdade é uma cultura à beira da extinção.
Em segundo lugar, a presença permanente de intelectuais amigos do poder que aproveitam a futilidade do personagem caricaturizado para viajar pelo mundo às custas do erário.
Por fim, e esse talvez seja o ponto mais irônico, a assessora de assuntos africanos do ministério é vivida por Julie Gayet, amante do Presidente socialista François Hollande, que arruinou o casamento dele a poderosa jornalista Valérie Trierweiller.
Devo dizer, que, em escala muito mais reduzida, claro, tive oportunidade mais tarde de participar de reuniões de executivos do serviço público, que, mesmo não sendo franceses, estavam mais preocupados com o corte dos paletós do que sobre a real necessidade de sua presença na folha do estado. Não que os franceses façam caso disso também...
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* "Assessor de p* nenhuma".
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