quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Continuação. 152 de n.

O ano de 1995 chegou como uma maré que enche, carregando todos os minuto de minha vida na direção das provas, cada nova edição do Jornal dos Concursos – JC para os concurseiros – estampava uma manchete alarmante: “Edital da Receita Federal em Fevereiro”. Aproveitei o carnaval para estudar.
Veio março: “Receita Federal – Edital pronto”. Eu estudava de sábado a sábado, domingo descansava, lia o jornal, às vezes saia para passear com S e D, quando não estava chovendo, assistia a um joguinho de futebol à tarde e ao Manhattan Connection à noite. Segunda-feira começava tudo de novo. Não se esqueçam que eu continuava trabalhando no Banco Central.
Abril, enfim, e com ele a notícia previsível: “Fontes do Ministério da Fazenda asseguram: Edital da Receita em maio”. Passei os feriados das páscoa católica estudando.
Para encurtar a história, não houve concurso no ano de 1995, mas eu não sabia disso, claro e continuava estudando as muitas matérias das provas do concurso para Auditor-Fiscal: Direitos Tributário, Civil, Penal, Comercial, Constitucional e Administrativo, Contabilidade, Português, Inglês, Matemática Financeira,  Estatística e Economia.
Não havia bons cursinhos em Curitiba naquela época,  resolvemos, meus colegas e eu, beber na fonte, trazer material da cidade que tinha tradição em aprovar candidatos: o Rio de Janeiro. Isso era um fato, inquestionável, acho que se devia ao passado de capital do Império e da República, muitas pessoas tinha parentes no serviço público e cogitavam ingressar nas carreiras típicas de estado que eram as normalmente mais bem remuneradas.
Pedíamos as apostilas pelo correio, recebíamos por Sedex, fazíamos cópias (sim, preciso confessar esse pecado), repartíamos entre nós e estudávamos por conta própria, mantendo uma lista de emails, onde compartilhávamos dúvidas e dicas. O grupo foi crescendo durante o ano e chegou a ter uma dezena de colegas.
Meu dia passava cronometrado:
-         7h00 – Acordar, tomar banho, tomar café
-         7h30-11h00 – Estudar
-         11h00-12h00 – Almoçar, levar D para a Roda do Tempo, ir para o Bacen
-         12h00-18h00 – Expediente no Banco (saco!).
-         18h00-18h30 – Pegar D na Roda (as tias reclamavam se eu me atrasasse)
-         18h30-19h30 – Jantar
-         19h30-20h30 – Exígua pausa para jantar e curtir a família
-         20h30-23h00 – Estudar, principalmente fazer questões de provas anteriores.
-         23h00-07h00 – Dormir, quando não tinha insônia...

O problema é que a cabeça estava cansada, mas o corpo não, porque eu levava uma vida muito sedentária, naquela época. Para não incomodar S, eu me levantava e ia, pé ante pé, para a sala, ligava a TV e ficava vendo documentários.

Assisti a coisas do arco da velha, de jacarés da Flórida ao vulcão Krakatoa, lembro do conteúdo de alguns deles até hoje.

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